quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O ser em gestação - esquema

Vincent Bourguet, O ser em gestação: reflexões bioéticas sobre o embrião humano
1.       


1. O embrião é coisa ou pessoa? O embrião humano é digno de respeito ou não? O seu ser é capaz de parar meu poder? Tenho alguma responsabilidade diante desse ser?
2. A razão deste questionamento é, hoje, o poder das manipulações biomédicas.
a. O ser do embrião é tão velho quanto a humanidade. O que é novo, para nós hoje, é o poder que podemos exercer sobre o embrião.
3. Ligado às origens do ser humano... ligado ao direito à vida. A pergunta é então “com que direito?”
4. Somente quando o embrião se torna objeto de nossa intervenção tecnológica ele passa a ser um objeto de estudo para a ética.
a. Nos encontramos na posição de ter que justificar nossos atos.
b. Mas somente se o embrião for pessoa e não coisa.
5. A PRIMEIRA questão: O embrião é um ser? É um ser humano? Há uma identidade biológica.
a. Ele é indivíduo da espécie humana ou apenas parte do corpo humano?
b. A questão aqui é o fenômeno do embrião, se manifesta-se como fenômeno humano.
c. Filosofia da biologia: A noção de individualidade biológica.
d. Outras obs:
    i. Na biologia, cada «indivíduo» se identifica no organismo cuja existência coincide com seu «Ciclo vital», isto é, «a extensão no espaço e no tempo da vida de uma individualidade biológica». A origem de um organismo biológico coincide, portanto, com o início de seu ciclo vital.
   ii. Posição católica: como um indivíduo humano não seria um ser humano? ... depois se estende à personalidade, direito à vida, direito a proteção jurídica.
6. A SEGUNDA questão: O embrião humano é uma pessoa?
a. Problemas da alma e do corpo; do mental e do psíquico; da personalidade; da disponibilidade (está ele disponível como objeto?); da responsabilidade.
7. DISCERNIMENTO: quem é o outro (pessoa) que exige responsabilidade?
a. O embrião humano é um outro? Pessoa?
8. PROPOSTA: Uma ética fundamental da responsabilidade pessoal --- diferente da bioética de preocupação política (direito à vida). Aqui está a especificidade de Bourguet
a. Ética de responsabilidade pessoal, de si e do outro.
b. O que nos permite alcançar a existência de outrem, não é a identidade (do real, da liberdade, da autonomia), mas a diferença.
c. Em suma, perguntaríamos a nós mesmos “serei eu um ex-embrião?”
    i. Posso superar essa alteridade aparentemente insuperável, que é a existência embrionária identificando-a à minha vida?
    ii. Se o embrião para mim não é outrem, na sua diferença, pelo menos se pode superar isso pensando a mim mesmo como ex-embrião.
d. E aí pode-se ver a si mesmo não como sujeito moral, um sujeito capaz de respeito, mas como objeto moral, um objeto digno de respeito que me conduz a mim mesmo e aos meus julgamentos morais, decisões a atitudes.
e. Isto é, eu mesmo estou implicado num continuum que é minha própria vida, uma vida humana.

3 comentários:

Giangiacomo disse...

Obrigado, Germano.
Estava pensando já hoje em sala de aula, como uma mãe pode viver de forma única o que nosso autor propõe em 8(a.b.c.). O embrião não é ela, nem parte de ela; a “responsabilidade pessoal” tem algo da “hospitalidade” que, ela sim, aceita de ser vivida na liberdade e na cisão (diferença), para depois permitir o nascimento do filho, da filha? A diferença, passando para a separação, pode se tornar criativa?

adalberto disse...

Germano, fiquei pensando durante a aula de hoje que é necessário um esforço para além daquele que já fazemos para conseguirmos pelo menos abrir-nos á compreensão dos mistérios que envolvem a vida do ser humano nas suas várias especifidades. Não é diferente, por exemplo, sobre a aula de hoje:têrmos que talvez muitos de nos não tem um contato diário com os mesmos. Ainda assim, como faz parte do nosso discurso teólógico,é preciso um esforço para olhar as questões que falam diretamente ao ser humano e o seu ser/estar neste mundo. Somos além daquilo que vemos, sentimos, experienciamos, ciaturas amadas e escolhidas de Deus. Justifica-se com isso este minucioso olhar para a nossa humanidade em todos os seus detalhes, porque somos "especiais".
Lembrei-me que no ano de 2000, enquanto fazia parte de uma congregação religiosa de origem italiana, um casal passou por uma gravidez complicada, quando o feto,já em estado avançado de formação, apresentou a ausência da massa encefálica(anencefalia), o que colocou em risco a vida da mãe, uma vez que a criança logo depois de nascer, iria a óbito. Pensei no respeito pela criação de Deus e no uso da liberdade daquela mãe em se optar pelo aborto terapêutico. Ainda assim, o casal, acompanhado por médicos e por autoridades eclesiásticas, mesmo podendo optar pelo aborto, optaram em correr o risco da gravidez e esperaram até o nascimento da criança, que se quer abriu os olhos para ver algo deste mundo. Numa celebração da missa de corpo presente de um padre da nossa arquidiocese, que não chegou a celebrar uma missa depois de ordenado, foi-lhe dirigidas estas palavras: "Este é o filho que devolvo à terra, um filho do qual nem cheguei a escutar a sua voz"

Germano SJ disse...

Haja amor... que é entrega... que é esperança, para que tanto a criatividade buscada por Giangiacomo, como o acolhimento, proposto por Adalberto, daquele que pode não chegar a abrir os olhos ou a soar sua voz tornem-se experiência, realidade e pensamento (reflexão bioética). Como equacionar o amor de entrega e confiança sem evocar o senso crístico? Como poderia a teologia a dizer filosoficamente tal amor, que guia a escolha e normatiza o ato (ética)

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